Um anjo me apareceu do nada

Gabriel foi o arcanjo escalado para trazer a notícia do nascimento de Jesus à Maria e, posteriormente, a José. Essa visita do anjo se tornou célebre por causa da reação de Maria e também pelo detalhamento daquilo que aconteceria. Todavia, antes de Gabriel aparecer a José e a Maria, ele apareceu a Zacarias, o pai de João Batista.

Diferente de Maria, Zacarias era um sacerdote que tinha o privilégio de, de tempo em tempo, entrar na presença de Deus no santuário, enquanto todo o povo aguardava do lado de fora. Nesse dia, em particular, Zacarias teve dois privilégios: o de ser escolhido para entrar na presença de Deus, no santuário, e receber uma revelação do próprio Deus; e o de receber, de Gabriel, a promessa de que sua esposa daria à luz um filho.

Ora, o evangelista Lucas já havia nos informado anteriormente que Zacarias e sua esposa Isabel eram “justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor” (Lc 1.6). Mesmo assim, Isabel era uma mulher conhecida em seus dias com sendo estéril. A notícia trazida por Gabriel, assegurando que ela daria à luz um filho, pegou Zacarias de surpresa; sua reação perante o arcanjo foi inesperada e inaceitável.

Uma reação inesperada

Ela foi inesperada porque a narrativa bíblica criou uma expectativa de que alguém que era justo diante de Deus e vivia de forma irrepreensível pudesse ter uma reação diferente. Conforme as palavras de Gabriel, Zacarias não creu naquilo que lhe foi falado. De fato, o conteúdo daquilo que foi anunciado a Zacarias era surpreendente, mas não uma surpresa que nunca se ouviu antes. Várias mulheres no Antigo Testamento passaram por situações semelhantes à desse casal e tiveram a sorte mudada miraculosamente. Sendo Zacarias justo diante de Deus e vivendo em conformidade com a sua Lei, era esperado que ele soubesse dessas coisas. Por que, então, a reação inesperada de incredulidade?

O restante da narrativa irá nos mostrar que foi um momento de incredulidade passageira, mas aconteceu numa hora e local muito errados. Zacarias estava dentro do santuário, num momento em que todos os demais estavam do lado de fora aguardando o seu retorno. O retorno do sacerdote significava que ele não havia sido consumido diante de Deus e o seu ato simbólico de intercessão havia sido aceito. Esse não era o momento para a incredulidade. Que tipo de sacerdote não crê naquilo que Deus fala? Além disso, o que o anjo lhe disse tinha a ver especificamente com ele; com a oração que ele fazia diante de Deus: “Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida” (Lc 1.13). Que tipo de pessoa não crê nem naquilo que ele mesmo está pedindo a Deus?

Uma reação inaceitável

Além de inesperada, a reação de Zacarias foi também inaceitável. Gabriel não aceitou a sua atitude e o puniu no mesmo instante. O ponto relevante na reação de Gabriel tem a ver com suas palavras: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e trazer-te estas boas-novas” (Lc 1.19). O aspecto inaceitável na reação de Zacarias foi o de se ver no direito de pedir um tipo de sinal de confirmação de que aquilo realmente aconteceria. Receber a visita de Gabriel, com uma mensagem particular para o sacerdote, era o maior de todos os sinais que ele poderia receber. As boas-novas trazidas a Zacarias eram apenas o prenúncio de uma mensagem ainda maior: as boas-novas que seriam trazidas a José e a Maria. Se ele não cria nem naquilo que se referia a seu filho, como creria naquilo que se relacionava com o filho de Deus?

Como já disse, o restante da narrativa irá nos mostrar que Zacarias entendeu e creu em todas essas coisas. No dia em que ele teve sua fala restaurada, ele creu e compreendeu tudo o que seu filho e o Filho de Deus seriam:

“Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados, graças à entranhável misericórdia de nosso Deus,  pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” (Lc 1.76-79)

Conclusão

Neste natal, cuidado para não cair no mesmo erro de Zacarias. Primeiro: ele demonstrou incredulidade no local e hora muito errados. A incredulidade dele não tinha a ver com sua salvação, mas poderia ter um profundo impacto na salvação de outros que dependiam da instrumentalidade do seu ofício sacerdotal. A minha incredulidade, conquanto momentânea, pode trazer consequências duradouras para a vida de outros que vivem ao meu redor. Segundo: Ele se esqueceu de considerar quem estava falando com ele. Hoje temos um privilégio maior do que o de Zacarias, pois Deus, tendo falado outrora de muitas maneiras, nos fala por meio do seu Filho, a respeito do seu Filho e por causa do seu Filho.

Crer nessas coisas deveria nos mover a uma exultação semelhante à de Zacarias após ter sua fala restaurada. Nosso silêncio e indiferença, hoje, podem facilmente ser comparados à incredulidade imprópria e inaceitável do sacerdote.

Direto ao ponto: você já contou a alguém esse final de ano sobre os detalhes do nascimento do nosso Salvador?

 

 

 

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