Estive Pensando 3

Hoje acordei pensando nas palavras de Jó em resposta às acusações que ele vinha recebendo de seus amigos, os quais não conseguiam ver nenhuma explicação para as calamidades dele, exceto a de que Deus estivesse castigando-o. Eu me coloco na posição de Jó (em parte) e compreendo sua dificuldade em tentar entender e explicar aquilo que Deus não está interessado em revelar. Deus e Satanás sabiam que o motivo de todas as calamidades de Jó foi o teste proposto no início do livro, e nós que lemos o livro agora também sabemos. Entretanto, o que era possível dizer da perspectiva daqueles que nunca souberam do que aconteceu, dos que nunca tinham ouvido do diálogo entre Deus e Satanás? Considerando que o livro de Jó foi concluído 140 anos após os acontecimentos nele relatados, não seria errado concluir que aqueles que realmente precisavam ouvir tal explicação morreram sem saber.
Ora, se isso é verdade, será que não deveríamos ser mais generosos e pacientes com nossas lutas e inexplicáveis derrotas? A rotina mais comum nas Escrituras de Deus anunciar o que vai fazer e depois ainda explicar o que aconteceu pode nos deixar mal-acostumados, achando que ele tem o dever de nos dar satisfação daquilo que faz com nossa vida. Não é todo dia que Deus nos chama de lado para consultar sobre o que pretende fazer, como foi o caso com Abraão antes da destruição de Sodoma e Gomorra. Não é todo dia que Deus manda um profeta nos avisar para por em ordem a nossa casa que morreremos em breve. Semelhantemente, não é todo dia que Deus age da maneira que agiu com o seu servo Jó.
Para mim, a decisão de Jó no capítulo 26 foi a mais acertada. Ele não tinha sabedoria suficiente para entender e explicar o que estava acontecendo, mas tinha já caminhado muito tempo com Deus para saber que ele não tem o dever de nos explicar tudo o que faz. Pense nisso.

Daniel Santos

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Professor, pesquisador e pastor. Amo ouvir, refletir e divulgar boas ideias. Creio, sigo e sirvo o Deus que se revelou nas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos.

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