Estive Pensando 30

Estive Pensando nas palavras que encerram a oração que Cristo ensinou aos seus discípulos: “pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!” (Mateus 6.13). Como alguns já devem saber, esse trecho aparece entre colchetes em algumas versões da bíblia em português. Isso significa que essa conclusão não consta nos manuscritos mais antigos; ela foi inserida posteriormente, depois dos dias de Cristo e dos apóstolos.

De qualquer forma, essas palavras ecoam a oração de Davi em agradecimento pelas ofertas recebidas para a construção do templo em Jerusalém (1 Crônicas 29.11-12). No final do primeiro século, na famosa obra Didaque, a oração que Cristo ensinou aos seus discípulos já aparece com esse final estendido.  O que podemos aprender dessa conclusão?

Primeiramente, devemos observar que dos três elementos apresentados na conclusão (reino, poder e glória), somente o primeiro aparece no corpo da oração. O modo como a conclusão é anexada à oração, com a partícula “pois”, sugere que entendamos essas palavras como uma justificativa para pedir e afirmar todas as coisas que lemos na oração.

Pedimos “venha a nós o teu reino” porque o reino é dele. Somente ele tem o poder para fazer isso acontecer, somente ele recebe a glória quando isso é feito. Observe, então, que cada um dos pedidos pode ser justificado com esses três elementos reunidos nessa conclusão anexada à oração de Jesus. Mesmo que não sejam palavras do próprio Cristo, essa tríade (reino, poder e glória) preservou uma excelente teologia do final do primeiro século que deveríamos considerar.

Somente o Pai pode nos conceder o pão nosso de cada dia porque o reino é dele, ele detém o poder para assim fazê-lo se o desejar e, se o fizer, a glória será sempre dada a ele. Somente o Pai pode perdoar nossas dívidas porque o reino é dele, ele detém o poder para assim fazê-lo se o desejar e, se o fizer, a glória será sempre dada a ele. Somente o Pai pode livrar-nos do mal, porque o reino é dele, ele detém o poder para assim fazê-lo se o desejar e, se o fizer, a glória será sempre dada a ele.

Em resumo, esse final da oração deveria nos ensinar uma importante lição a respeito das coisas que pedimos ao nosso Pai: devemos sempre pensar numa justificativa para pedir o que pedimos e querer o que queremos. Nem sempre pensamos nisso. Somos rápidos para pedir, mas lentos para pensar em uma justificativa para as coisas que queremos, especialmente o modo e o tempo em que queremos. Pense nisso.

Lembrou-se de alguém enquanto lia? Compartilhe.

Professor, pesquisador e pastor. Amo ouvir, refletir e divulgar boas ideias. Creio, sigo e sirvo o Deus que se revelou nas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos.

Deixe um comentário