Estive Pensando 29

Estive Pensando nas palavras de Cristo na oração que ensinou seus discípulos: “e não dos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal” (Mateus 6.9). Esse é um dos pedidos mais difíceis que Jesus apresenta em sua oração modelo, especialmente vindo de alguém que foi conduzido pelo Espírito para o deserto a fim de ser tentado. Não estaria isso em conflito com a instrução “resisti ao diabo e ele fugirá de vós” (Tiago 4.7)? Ou, “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Efésios 6.11)?

A primeira impressão que se tem é a de que o pedido que Jesus faz em sua oração desencoraja o uso das práticas espirituais mencionadas por Paulo e Tiago. Se pedirmos para Deus nos livrar da tentação, não precisaremos resistir ao diabo nem nos revestir com as armaduras espirituais. Tiago chega até dizer que é bem-aventurado aquele que suporta com perseverança a provação (Tiago 1.12). Qual seria, então, a justificativa para Jesus ensinar seus discípulos a pedir algo assim?

O caminho para entendermos esse ensinamento de Jesus começa com aquilo que o apóstolo Paulo diz: “Não sobreveio a vocês nenhuma tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar; pelo contrário, juntamente com a tentação proverá livramento, para que vocês a possam suportar” (1 Coríntios 10.13). Esse texto não promete apenas o livramento; ele nos faz pensar que Deus pode permitir que sejamos tentados.

Na verdade, algumas versões em outras línguas seguem mais literalmente a linguagem utilizada por Mateus no grego: “não nos conduza à tentação, mas livra-nos do mal” (ESV). As nossas versões em português não chegam a dizer isso tão abertamente, mas essa é uma boa maneira de entender o que o texto está dizendo. Mesmo que tenhamos a certeza de que Deus conhece nosso ponto fraco, ele sabe quanto de provação suportaremos, Jesus ensina seus discípulos a pedir isso: “livra-nos do mal”.

É nesse sentido que devemos entender a instrução de Jesus, pois ele mesmo pediu isso ao Pai quando estava no Getsêmani: “Pai, se possível, passe de mim esse cálice”. Nem todos os cálices podem ser passados de nós, como vimos no caso de Cristo. Mesmo assim, fica a importante dica: Peça ao Pai constantemente para te livrar da tentação do inimigo. Pense nisso.

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Professor, pesquisador e pastor. Amo ouvir, refletir e divulgar boas ideias. Creio, sigo e sirvo o Deus que se revelou nas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos.

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