Para que servem os protocolos?

A mídia internacional mostrou recentemente o comportamento “desprotocolado” do presidente americano ao lado da rainha da Inglaterra. Para os que têm acompanhado os noticiários internacionais, isso já era esperado. A minha pergunta diante desta cena é a seguinte: Por que uma pessoa decide quebrar protocolos de conduta? Os jornais relataram que alguns desses protocolos são vistos pelo próprio povo britânico como sendo um pouco exagerados, mas, inconscientemente, preferem que um chefe de estado em visita à rainha se comporte apropriadamente. Por outro lado, as manifestações contrárias à visita do presidente não economizaram insultos. Isso contaria também como quebra de protocolo?

O fato é que cada cultura cria e reverencia seus protocolos pelas mais diversas razões. Como será que o cristão deveria portar-se diante desse tema? Jesus era uma pessoa amável e humilde, mas não perdia a chance de agir de modo a romper com alguns protocolos. Estou pensando, por exemplo, em sua iniciativa de começar e manter um diálogo com a mulher samaritana. As razões de Jesus para quebrar com o protocolo não podem ser utilizadas por nós com facilidade, pois ele era onisciente; ele conhecia a mulher mais do que ela mesma imaginava. Esse nível de informação nós nunca teremos.

Quais são, então, algumas diretrizes que podemos usar para guiar nossas posturas em relação a observação de protocolo?

1) Nem sempre a observação de protocolo é uma escolha. Se estivermos, por exemplo, dentro de uma embaixada de outro pais, seremos obrigados a seguir na íntegra os protocolos daquela cultura. Sejam as exigências tolas ou ofensivas, não há escolha. A escolha que nos resta seria não entrar num contexto onde há protocolos obrigatórios.

2) Protocolos são indicadores de respeito e reverência. Cada sociedade escolhe os modos mais apropriados de demonstrar respeito quando se aproxima de alguém mais importante. Quando Moisés se aproximou da sarça ardente, Deus lhe mandou manter uma distância e retirar as sandálias. Quando Moisés pediu para ver a glória de Deus (Êxodo 34), foi-lhe proibido ver a face dele. Moisés teve que se esconder atrás de uma pedra e, depois que a glória de Deus passou, ele pôde ver apenas as costas. Para mim, um dos maiores exemplos de observação de protocolo foi o batismo de Cristo. Até mesmo João Batista achou que a situação justificava uma quebra de protocolo, mas Cristo demonstrou respeito ao pedir que ele o batizasse. Esse é um modelo que podemos seguir; observar um protocolo para demonstrar respeito e reverência a quem merece.

3) Protocolos podem ser mecanismos de perpetuar tirania e humilhação. Lembro-me de estar numa reunião de vários líderes de diversos países. Assentados à mesa estavam representantes religiosos, professores e professoras. Ao dirigir a saudação inicial, um dos líderes fez questão de cumprimentar todos os homens presentes. Imediatamente o coordenador complementou: “e as irmãs também!” Isso me fez lembrar imediatamente da situação da mulher samaritana. Às vezes nos acostumamos com protocolos que acabam sedimentando sentimentos de humilhação e tiranias. Isso, também, podemos imitar da atitude de Cristo.

Daniel Santos

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